Marina e Antony

A performer Marina Abramović e cantor e compositor Antony Hegarty de Antony and the Johnsons trabalharam juntos numa produção teatral relacionada à biografia da performer intitulada The Life and Death of Marina Abramović. Uma entrevista foi publicada no site NOWNESS.com (http://www.nowness.com/day/2011/7/8/marina-abramovic-life-and-death), originalmente em língua inglesa e vertido para o português por mim. Visitem o link para a “story” de NOWNESS.com e veja as fotos mencionadas de Antony Crook e clique em “LOVE” também.

Marina Abramović: vida e morte

Artista performática dedica-se mortalmente pela nova produção de Robert Wilson.

Segurando lâminas afiadas e armas carregas em nome de sua arte, a grande dama da performance, presenteia-nos com seu próprio funeral em A vida e a morte de Marina Abramović (The Life and Death of Marina Abramović). Antony Crook fotografou a maratona de ensaios desta nova produção que recrutou o brilhante cantor Antony Hegarty e o sonoro William Basinski para seu elenco, além de Willem Dafoe como narrador e um trio de dobermans. Dirigido por Robert Wilson a peça baseia-se nos diários de Abramović para uma trama entrelaçada por íntimos detalhes de suas diversas relações, incluindo a complicada história com sua mãe que perpassam todo o espetáculo. O projeto A presença do artista (The Artist is Present), realizado pelo MoMA de Nova Iorque no ano passado, marca a sexta instalação de um projeto pontual que revisa mais de três décadas de sua carreira. Falamos com a performer após sua estréia no Manchester Festival.

O que foi mais intrigante em seu trabalho com Robert Wilson?

Como tudo é uma ilusão. Quando começamos tinha a imagem de mim sentada num enorme bloco de gelo, porém nos ensaios eu vi um grande bloco de acrílico imitando o gelo. Eu perguntei para Robert: “Não é gelo?” e ele me respondeu: “Ficou louca? Se você sentar num bloco de gelo pelo resto da performance, seu vestido ficará molhado. Teatro é ilusão, Marina.”

Como foi o envolvimento de Antony Hegarty e Willem Dafoe?

Quando eu comecei o trabalho, tive que pensar na música e a única pessoa no mundo que eu gostaria que dissesse sim para meu projeto era Antony. Ele criou 11 inacreditáveis músicas baseadas na minha biografia. Para mim, Antony é como um anjo enviado pelos céus. A primeira vez que o escutei tive um forte impacto emocional. Já Willem Dafoe é um amigo de longa data. Como o narrador, ele é a espinha dorsal de toda a peça, até mesmo canta e dança para as músicas eslavas.

Conte-nos sobre os animais que estão na peça.

Queríamos um cavalo em cena, mas não poderíamos arcar com este custo, por isso temos um cavalo de madeira. A cena de abertura é meu funeral com cachorros comendo os ossos de meu corpo. É um tanto macabro, mas inacreditavelmente poético ao mesmo tempo. Queríamos 12 cachorros, entretanto, devido à burocracia Britânica acabamos com apenas três. E também temos uma cobra em cena.

Os ensaios duraram de dez a doze horas. Você é reconhecida por sua resistência, mas foi um desafio?

Durante os três primeiros dias de ensaio pensei que eu iria terminar num hospital psiquiátrico. Robert criou uma realidade paralela e precisei de um tempo para me acostumar. Ele é obcecado por qualquer aspecto, mesmo a posição do meu dedo mindinho da mão precisa ser controlada em relação à sombra que ele projeta. E isto me fez ver meu corpo de uma nova maneira. Foi um processo de aprendizado inestimável para todos os envolvidos.

A participação do público é uma assinatura em seus trabalhos. Isto está presente nesta peça?

Não, eu acredito que o público precisará de lenços de papel. Todos que assistem parecem querer chorar.

De: NOWNESS.com (traduzido por marcuss souza)

Ontem, Antony Hegarty compartilhou em sua página no Facebook um vídeo com cenas da peça teatral do Canal ManchesterIntFest (http://www.youtube.com/user/ManchesterIntFest).


"Você sabe o que é mais interessante sobre a idade? Antes, eu não poderia fazer essas performances de longa duração, porque minha mente não suportava. Agora sou fisicamente fraca, mas mentalmente forte. Esta é a contradição." (Marina Abramović)