eco

William Blake
a manhã se desfaz nas rugas da pele
frescor pontual dos pés ao mais longo fio de cabelo
surgem as baforadas indesejadas de alegria
na pretensão do sol nascer pela janela

esfacela teu corpo de encontro ao meu

na imensidão clara das intenções
os raios iluminados dão de cara no vidro
se revoltam contra toda a luz incandescente do dia
e, por falta de opção, rumam para outros campos
quem sabe lá haverá abelhas operárias suficientes para ovacionar sua presença

esfacela teu corpo de encontro ao meu

não há necessidade de amanhecer
ali dentro o sol já parecia irradiar
da ideia insistente de se iluminar com uma única alegria fugaz
ao mesmo tempo que é incapaz de se manter em pé
nunca terá luz própria 
somente o astro flamejante é autossuficiente... para os olhos dos homens
pois quem precisa de luz para amanhecer são os sorrisos alheios

esfacela teu corpo de encontro ao meu

o campeão da satisfação está imune diante de toda essa luz finita
olhará para o lado e encontrará a paz
é mais um iludido diante da possibilidade de ter
e que nunca poderá existir

esfacela teu corpo de encontro ao meu

mas seu próprio sorriso anoitecerá as possibilidades
e se arrependerá
deveria ter aberto a janela
permitido o sol entrar
permitido o fantasma sair
não, e agora ele repete insistentemente

esfacela teu corpo de encontro ao meu

inocente... acreditou nas histórias para dormir
e não percebia que seria soterrado ao som de sua agonia
o eco paranoico já o avisara de tudo o que deveria saber

esfacela teu corpo de encontro ao meu
e finalmente descance no colo
morto do teu desejo

por um instante, sonhou, na audácia ineficaz, de se unir ao fantasma
ousou pensar em levantar sua mão
atender ao pedido
mas a ironia dentada o fez hesitar

esfacela teu corpo de encontro ao meu
e se una a única e possível verdade
só há teu corpo e o meu

fechou os olhos, desejou lembrar das promessas
mas era o rosto do fantasma que ali insistia
sorridente e capaz de preencher a presença vazia

esfacela teu corpo de encontro ao meu

O impasse - iamamiwhoami [tradução]


tornando todos os dias renovados
principalmente só por pensar em você
de coração com gratidão
mas todos os seus métodos foram experimentados e comprovados
cresceu em mim um mundo de problemas
eu sinto ele se mover, eu sinto ele fluir
minha história escreve a si mesma com falsidade
não vai durar, eu te verei em breve

nós gastamos a vida dentro de nossas cabeças
lutamos juntos, ligadas em vermelho
nós construímos um castelo tão forte para nos sustentar
nos tempos de miséria, nos invernos congelantes
nós gastamos toda a beleza que construimos
memórias as quais tenho que rever
escute estas simples palavras reveladas para esta ocasião escolhida

você e eu, nós desperdiçamos nossos dias
presos dentro de nossa névoa espessa
lentamente expulsos dos caminhos
para reinventar nosso labirinto acanhado
oh, uma vez fui brilhante e novo
sou firme como uma escuridão silenciosa
quem saberia o que eu poderia me tornar?
quem conhece a minha palavra? quem compartilha de minha visão?

nós gastamos a vida dentro de nossas cabeças
lutamos juntos, ligadas em vermelho
nós construímos um castelo tão forte para nos sustentar
nos tempos de miséria, nos invernos congelantes
nós gastamos toda a beleza que construimos
memórias as quais tenho que rever
escute estas simples palavras reveladas para esta ocasião escolhida
o impasse

Família - Björk [tradução]



Há algum lugar em que poderei prestar homenagem
a morte da minha família?
Mostre algum respeito
entre nós três
Há a mãe e a criança
Então há o pai e a criança
Mas não há o homem e a mulher
Não há o triangulo de amor

Então, onde poderei fazer a minha oferenda?
Eu caio de joelhos
Deito minha flores
Acendo minhas velas

Então, onde poderei fazer a minha oferenda?
Lamentar o nosso milagroso triângulo
Pai, mãe, filho
Pai, mãe, filho

Como poderei nos livrar dessa tristeza?
Construir uma ponte segura para a criança
longe desse perigo
desse perigo

Eu ergui um monumento de amor
Há uma multidão sonora
envolta de nossas cabeças
e não podemos ouvi-la
e não podemos ser alcançados por ela
Ela nos aliviará dessa dor
Ela nos fará em pedaços
neste universo de soluções
neste lugar de soluções
nesta posição de soluções

A vida mínima [conto de aniversário]

Fran Recacha - Icarus. oil & acrylic on canvas . 130 x 195 cm . 2007

O silêncio, na maioria das vezes, impedia o ar de circular. Não era possível ouvir voz alguma, somente alguns passos sorrateiros que se arrastavam de um cômodo a outro que, por vezes, relembravam a vida que ali dentro ainda existia. Caminhando para o quarto, por hábito, dirigiu-se para o banheiro e ligou o chuveiro. Algumas gotas tiveram a coragem de cair, higienizou-se diante de nenhuma sujeira ou gota de suor, arrastou-se para diante do guarda-roupa, tateou no escuro a terceira porta a esquerda e pegou uma camiseta aleatória. Vestiu-a. Segurou a respiração por um momento. Estranhou, pois era muito maior do que seu corpo, sentiu-se de certa forma confortável, tinha um cheiro distante misturado com odor de mofo, sabia que todas as suas camisetas estavam folgadas, pois, desde que parara de comer, perdera muitos quilos, mas aquela extrapolava em folga. Lembrou-se que ali mesmo já havia existido uma outra vida, o cheiro, sem querer, aproximou-o do passado.

Como esquecera que tudo aquilo existiu? Meneou a cabeça no escuro a procura de outros vestígios daquela vida e percebeu que além daquela camiseta esquecida só havia outras memórias pálidas naquele quarto, naquela sala, naquele banheiro, naquele quintal. A luz já havia entrado vigorosa por aquelas janelas, as portas permaneciam abertas para o entra e sai interminável dos afazeres do lar, da rotina de trabalho, assim como a água fluía livre pelos canos, o som das conversas ultrapassava as paredes, a música embalava diversos momentos, ouvia, de memória, o latido do cão. Lembrou-se até de que o tempo havia passado por ali, colocou o ouvido próximo do relógio de pulso, na esperança de que ele ainda funcionasse, mas não havia sinal de tique-taque, a bateria deveria ter se consumido, assim como o tempo.

Por que tudo aquilo acabara? Aquela outra vida ainda existia em outro lugar? Só se lembrava de quando tudo se tornou escuro, silencioso e harmonioso. Era isso que sempre desejara para si: a harmonia do menor, dos desejos mínimos, da vontade de existir sem atrapalhar quem quer que fosse. Passar desapercebido dos olhares alheios, não exalar cheiro algum, não pensar para acreditarem que não pensou. Estava devidamente conjunto com seus desejos, poderia dizer até que estava feliz, se esse fosse o significado. 

Entretanto, havia um motivo para ele estar naquela situação. Com os olhos fechados, sentiu seu corpo acariciado por aquela camiseta grande. Realmente, ninguém mais desconfiava de sua existência, o telefone não tocava, a campanhia não mais estrondava em sua cozinha, o cão não latia no portão. Morreu de inanição? Não importa, conseguiu se esconder até da luz, pois ela não mais lhe batia a janela pedindo para entrar e sanar o ar com seu calor. Tentou se lembrar se sentia falta daquele carinho, mas não sentia mais seu corpo, acostumara-se com a camiseta e ela já não roçava em seus pelos. Pensou que naquele momento poderia chorar, poderia sentir solidão ou mesmo começar a reclamar todos os seus momentos sozinhos desde que fora abandonado, mas não conseguia cumprir com aquele intento. Era pedante demais para ser sentido na harmonia que conseguira criar naquele pequeno universo vazio que tanto o satisfazia. Vivendo a vida mínima, chegou a um ponto pacífico, um acordo divino com a própria existência. Muitos poderiam acreditar que se tornara um fantasma que habitava aquela casa por hábito, acreditem no que quiser, pois nesta vida nem mesmo o que os outros pensavam afetavam para mais ou para menos como agia.

Aqueles pensamentos agora se tornavam tão fúteis que pode se movimentar novamente. Fechou a porta do guarda-roupa. Seu quarto de visitas fora transformado em uma biblioteca, passou a mão por muitos livros, seus dedos não acumulavam pó, não havia nenhum para ser depurado pelo toque. Seu tato escolheu o livro da noite, era o momento de relaxar na poltrona que permanecia no centro do quarto porque ali estava o ponto de “luz” que o ajudou a ler num passado remoto... A lâmpada queimada não o impedia de sentar-se confortavelmente e abrir o livro na página duzentos e trinta e oito e ler, mesmo que de forma fingida. As letras não eram mais necessárias, havia decorado todos os livros que ali dormiam esperando seu toque para ganharem vida, não esquecia nem mesmo uma vírgula. Emocionara-se, era o grande momento. Viver a vida mínima não era deixar de sentir. A personagem iria se sacrificar em nome de seu amor, doar-se por completo para que o seu amado vivesse.

Fora isso que tinha feito também, sacrificou-se para que o outro pudesse viver. Foi abandonado e não argumentou, sabia que longe dele o outro seria, finalmente, feliz. O outro fez as malas, deixou algum dinheiro sobre a mesa de centro, abriu o portão e, sem conseguir dizer adeus, teve a ousadia de acenar um tímido nos-encontramos-por-aí. Fechado o portão, o cachorro se deitou a seus pés, também iria sentir falta daquela vida. Fechou as janelas, uma por uma, cerrou as cortinas. Por mais que parecesse que estava se fechando para nunca mais sair, era na verdade um ato libertador, ouvira o seu próprio respirar aliviado no momento em que o outro abandonou aquele lar. Fechou a porta dos fundos, já era noite, por hábito, passou a chave, medo de um possível ladrão roubar os seus bens. Não seria melhor deixar aberto, já que nada mais fazia diferença alguma? Fechou a porta principal, o cachorro ficou de fora, latiu muito nos primeiros dias, mas depois não era mais possível ouvi-lo. A Sorte deve ter-lhe dado um destino melhor. A vida tornou-se mínima, custava menos do que o suficiente para existir. Sumiu da memória do outro, não fazia mais diferença, não era mais cobrado por aquilo que não queria oferecer. Enfim, a vida mínima é assim, o sonho realizado de não mais ser.

A última gota de inspiração

A narrativa abaixo trata-se de uma atividade realizada no ano de 2013 com meus alunos do 8º Ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Etalívio Pereira Martins: após a leitura de diversos contos propus aos alunos que escrevessem um, para tanto, elaboramos um quadro com todos os elementos da estrutura da narrativa que deveria ser preenchido para servir como guia para a escritura, desmistificando o fato de um escritor basear seu trabalho apenas na inspiração. Assim, o conto que se segue foi escrito por mim, mas todos os elementos foram escolhidos pela turma como um exemplo de como preencher o referido quadro.


"Sejam realistas, exijam o impossível!" Era a frase de maio que ficou guardada na minha cabeça. Era de maio, mas só a vi em junho, as boas notícias não chegavam tão fácilmente como as notícias deles, era muito simples manipular tudo e manter as pessoas dentro dos limites desejados quando todos os meios estavam sob seu controle. Mas eu não gostava de limites.
Havia me casado com Bruna porque era isso que fazíamos: nos associávamos para manter a aparência de pessoas normais para podermos seguir em frente e sermos mais confiáveis. Porém, Bruna era exatamente como eu, uma cabeça livre e libertos fazíamos o que queríamos. O tempo passou e eles não tiveram misericórdia dela. Não sei para qual país foi mandada, nunca mais a vi depois de anunciarem sua prisão e expulsão do país.
Minha ligação com a realidade, depois disso, eram Diego e Viviane. Ela logo caiu de amores por mim. Bruna deve ter mencionado milagres que somente eu era capaz de fazer. Diverti-me um pouco com ela, mas não era com ela que eu me divertia. Eram minhas palavras preto no branco que punham sorrisos na minha cara.
E foram minha palavras que os trouxe até mim, primeiro Viviane e seus interesses alheios a causa, depois Diego que de certa forma me inspirava. O desejo se ligava com a vontade de ser livre e ele me inspirava a liberdade. Era na casa deles que nos reuníamos uma vez por mês para podermos traçar novos planos e saber das notícias. Foi ali que vi a foto de maio e a frase do impossível, senti que era uma guia para minha vida. Seria a bengala a qual apoiaria minha existência.
Viviane, amante do perigo, me encontrava uma vez por semana, a guisa de me deixar informado de assuntos importantes para nossa causa, mas era óbvio que estava ali por mim e pelo o que eu poderia oferecer para ela. E eu só a deixava estar ao meu lado porque me sentia como ele, dono de um poder que eu desejava sobre mim.
A linha dura de Costa e Silva não me intimou, continuei realizando e escrevendo, informando aos desinformados, sentia-me naquela época um espécie de salvador que seria coroado mais cedo ou mais tarde. É uma marda, mas já fazem mais de vinte e seis anos que retornei ao Brasil e a coroa ainda não me foi entregue pelos Correios. 
Era sexta-feira na casa de Diego e Viviane. Alguns companheiros estavam reunidos, outros já não estavam entre nós, presos ou deportados, presentearam-nos com sua ausência e só lhe devolvíamos saudades, muitos outros já não apareciam por medo, temiam pelo mesmo destino. E eu? Eu já não tinha muito o que perder, minha prisão já havia sido anunciada, só precisava de mais um pouco de inspiração. Viviane, amante do perigo, gostava da ideia de ter um procurado pela polícia militar em sua residência. Diego olhava-me e era como se meu pulmão se enchesse de coragem, seus olhos transmitiam-me o poder de não ceder sem lutar.
Somente fui a mais aquela reunião porque sabia que iria encontrá-lo ali, a visão dele seria meu consolo em todos os anos que eu poderia passar na cadeia, seria o meu pão enquanto eu tivesse fome em qualquer rua de qualquer país desse mundo que aceitasse um revoltado político, um bastardo da nação brasileira. Sim, ele me inspirou. Quando pisei em solo brasileiro depois de todos os arrependimentos nacionais, foi ele quem eu primeiro procurei e foi o único que não achei... Destino incerto. Teria sido preso? Torturado? Morto em um calabouço escuro? Não sei, enquanto não se abrem os arquivos humilhantes, vou seguindo inspirado pela última imagem que tive dele.
A polícia bateu a porta, Diego a abriu acreditando ser mais um dos nossos, Viviane pegou em meu joelho marcando nosso próximo encontro. As vozes de comando invadiram corredores, quartos, salas. Possuíram livros, cadernos e jornais espalhados pelos cômodos, elas não perderam suas forças quando foram queimadas na praça defronte a casa de Diego. Eu não perdi minhas forças quando fui algemado, somente senti uma mão amiga sobre meu ombro. Diego foi a última coisa boa que vi depois daquele momento. O que se passou depois daquilo não interessa a ninguém. Penso que as vezes nem eu me lembro, pois só pensava nele, inspiração.
Ele sumiu, toda a nossa coragem também, o povo tomou o poder, por mais que eu fosse realista, o impossível não se realizou. Muitas vezes penso que hoje nós brincamos de satisfação democrática, que o tempo que passei fora foi somente uma estadia no paraíso das ideias. Acredito que me conformei com o mínimo de realidade possível. Acredito que acabei como Viviane, apaixonado pelo perigo. Acredito que acabei como os outros, guiado pelo medo. Temos o país que merecemos. Silêncio.

perspectiva - iamamiwhoami [tradução]


Desejo você

alargando-se diante dos meus olhos,
são as riquezas que um soberano exige,
vislumbre régio, brilho cego,
mas a falsidade de quanto tudo isso é meu
por meio do absoluto racha-se o vazio, eu tenho que trespassar
isso acabou se tornando minha hora mais escura,
dias suficientes vivendo na penumbra

eu vejo o ancoradouro,
está debaixo dessa maré de perspectiva?
esconde a minha terra de solo gelado,
é a razão pela qual alguns passam por mim encarando-me
siga-me e o farei, se você tomar tudo
cace-nos até o fim, mas isso acabará com você, tome tudo.

provável lugar desconhecido,
intocável e indestrutível
é aqui que deixo minhas armas crescerem
nossa voz gritará estrondosa

no meio do fluxo mortal
nunca acredite na cura da dúvida
quero que o mundo apresse-se pelas minha veias

eu vejo o ancoradouro,
está debaixo dessa maré de perspectiva?
esconde a minha terra de solo gelado,
é a razão pela qual alguns passam por mim encarando-me
siga-me e o farei, se você tomar tudo
cace-nos até o fim, mas isso acabará com você, tome tudo.

desejo somente que você me tome por completo (deseje-me, use, tome-me)
desejo que você tome tudo (e a mim)

seguiria-me mais uma vez?
saborearia o sal branco e pálido contra a tua língua?

eu vejo o ancoradouro,
está debaixo dessa maré de perspectiva?
esconde a minha terra de solo gelado,
é a razão pela qual alguns passam por mim encarando-me
siga-me e o farei, se você tomar tudo
cace-nos até o fim, mas isso acabará com você, tome tudo.

desperdiçando minha juventude - London Grammar [tradução]


Você cruzou essa linha
Achou difícil dizer isso para mim esta noite?
Andei por todas esses quilômetros, mas eu sempre andei na linha
Você nunca saberá o que é estar próximo do esperado

Estou desperdiçando minha juventude
Não importa se...
estou caçando ideias antigas
Não importa se...

Meu querido...
nós somos
nós somos
Talvez, esteja desperdiçando minha juventude
Meu querido...
nós somos
nós somos
Meu querido, estou desperdiçando meu jovens anos

Não sabia que isso é somente o medo?
Não deveria me preocupar, você ainda tem toda a sua vida
Escutei, por aí, que leva algum tempo para colocá-la nos eixos

Estou desperdiçando minha juventude
Não importa se...
estou caçando ideias antigas
Não importa se...

Meu querido...
nós somos
nós somos
Meu querido, estou desperdiçando minha juventude
Meu querido...
nós somos
nós somos
Meu querido, estou desperdiçando minha juventude

Não sei o que deseja
Não me deixe esperando
Não sei o que deseja
Não me deixe esperando

caça as pérolas - iamamiwhoami [tradução]



Mergulhador da profundeza azul, com as nossas esperanças em tuas mãos
não me levaria contigo para uma outra terra?

A safira translúcida está escondida  nas areias
das mais escuras profundezas jamais tocadas pelo homem

Junte-se a mim, não há nada a ser feito

Que prestidigitação afinada e autocontrolada é essa?
De noite, deito-me acordado e escuto-te chamar pelo meu nome

Nas mais estranhas terras
Agarrarei a minha chance
Cantando as incantáveis palavas
Tenho procurado pela magia

E algemo-me, arrisco tudo
Trazendo-nos mais perto do centro da Terra
Procurando tesouros pelo litoral

E juntos retomamos aquilo que nos pertence
Caçando por pérolas no fundo do oceano
Para nós adorarmos e amarmos

Os dias são vazios
As noites veem para assassinar a fé
Enquanto eu fecho meus olhos e concentro-me em não perder minha sanidade

É ela quem seguimos
Ela segura os segredos enterrados
Conheço o lugar que ela vai e aceno a ele um adeus

a fonte - iamamiwhoami [tradução]


que mentiras estão escondidas na franja dos bosques?
pó por pó, partimos para a prosperidade, então

quando tudo for para as chamas
Eu começarei a correr
até encontrar o lugar aonde ninguém se vai

nenhum peso sobre meus ossos
tranquilamente, retornarei ao começo

flua como um fonte
depressa
e engula-me
floreado como a fonte
por dentro
junte as forças vindas do oceano
agora você conhece toda a perfeição
segure firme
permita a ele lavar-me até a brancura

rastejando através da finura da prosperidade
virando a cabeça, não há sinal do lar

através da minha dor no corpo
nós temos que incitar
por todo começo
nenhuma luz é esboçada

flua como um fonte
depressa
e engula-me
floreado como a fonte
por dentro
junte as forças vindas do oceano
agora você conhece toda a perfeição
segure firme
permita a ele lavar-me até a brancura

dos olhos observadores
perambulo cegamente
para guardar minhas histórias
e encontrar meu deus

agora você conhece toda a perfeição
segure firme
permita a ele lavar-me até a brancura

que mentiras estão escondidas na franja dos bosques?
pó por pó, partimos para a prosperidade, então

Os fantasmas do tamanho da vida – Mt. Wolf [tradução]


Coloque seus sonhos onde eles merecem estar,
determine seu preço para se sentir livre.
Aceitar é perder nossa inocência...
Agora eu não sou mais tão inocente.

Os fantasmas do tamanho da vida
veem arrebatar-te através das fendas.
Os fantasmas do tamanho da vida...
Eles vieram para te assustar.

Corte suas gravatas, elas vivem para morrer,
trace com suas mãos uma volta na terra intocada
observe a habilidade do Destino
à medida que se torna invisível.

E agora, tornar-se-á invisível também?

Bom amor

Este ensaio é parte de uma série de textos denominada Um guia ao jovem gay para a prosperidade originalmente publicado no Tumblr Homo-Online e disponível para a leitura no original em http://homo-online.com/post/53430704639. Tradução por marcuss souza.

Bom amor

De tempos em tempos, o amor faz todo mundo de bobo, mas os gays estão se tornando os Palhaços do Amor. Os gregos de Homero fizeram de sua deusa do amor, Afrodite, quase irresistível ao mesmo tempo em que era uma volúvel e frequentemente considerada uma prostituta. Eles entenderam o Amor desta maneira, mas o que estamos a fazer nos braços de tal subjugado amante tido como Amor? E qual a relação entre os homossexuais e o Amor, aparentemente deixados de lado nesta narrativa, pelo menos durante a (longa e negra) Era Cristã? Como dissemos anteriormente nesta série, acreditamos que o Amor, como promulgado pela GAY S. A., (o casamento pago e monogâmico para um Futuro ideal) é para nós o inimigo da nossa felicidade e satisfação. O Amor-como-uma-religião é um completo estranho para nós: uma doença cultural que usa o amalgama incoerente dos ideais cristãos e as formas do movimento romântico para criar ferramentas perfeitas à economia industrial; esta estrutura não pode pesar na nossa versão de uma vida feliz. A GAY S. A. quer que adquiramos o pacote completo: romance, encontros, monogamia, noivado, casamento, filhos (tudo por eles e pelo seu Futuro) que permanecerão sem destino nos “Achados e Perdidos” da Etna.

É claro, quem poderia negar que o Amor, em todas as épocas, é uma das mais potentes forças na vida humana? Sabemos que é um profundo e essencial impulso. Modela cada um de nós do berço e fora dele, a vida humana pode ser intoleravelmente árida. De fato, a maioria dos indivíduos, por um conjunto complexo de razões, (e mais comumente entre os jovens) encontra as flechas do Cupido e não está preparada. Dois livros de sábios escritores podem ajudar na servidão que o Grande Amor representa: Fragmentos de um discurso amoroso de Barthes e Do amor de Stendhal. (CUIDADO: ler autoajuda gay sobre o amor é correr um grande risco. É um gênero dominado por tolos e velhacos, desatinos e erros. Estes livros estão em nossa lista negra! Tanto o entretenimento como os sinais do amor gay, trabalhos esses auto-meditativos e superficiais, podem perverter uma boa mente jovem se forem levados a sério. É o mesmo que ter uma reunião do AA numa festa open bar. Sim, seus pobres bastardos, nós sabemos, já vivemos isso!) Mudando vivamente o nosso Grande Tour pelo Amor, como homossexuais, não é do fenômeno do amor que estamos tratando, mas da maneira desajeitada que isso não é compreendido e utilizado entre os homossexuais da moda. Para quem “o amor moderno” (da GAY S. A.) está a serviço é inteiramente uma outra questão (política e social), mas suficiente para saber o que o amor não é!

O que é, portanto, o amor-homo para nós?

A principio, o amor é um mistério e é significativo para permanecer, pelo menos em parte, neste estado se for para florear acima de tudo, ele precisa de uma agradável luz claro-escura, e isso é tão verdadeiro para as ideias sobre o amor como para os objetos amados. Pergunte demais e você matará essa exaltação alada. Da mesma maneira, se você simplesmente se tornar perdidamente apaixonado pelo amor, você estará desgastando seu espírito (e presumimos que você não é um idiota, se tem feito isso até agora). Nós rejeitamos a assertiva de Pascal de que “o amor tem razões as quais a razão não pode compreender”. As razões podem ser obscuras, mas acreditamos em amar alguém de corpo e alma: empregando a razão, o emocional e o sexual. O impreciso e lodoso verbo-substantivo usado contemporaneamente é insanamente cego. “Eu amo salsicha”. “Eu amo Paris”. “Eu te amo”. Esse termo é mais do que supérfluo para muitas discussões deste importante aspecto da vida. O Cristianismo e seus dois primos medonhos, além de sua horrível extensão gnóstica, tem determinado nosso entendimento do amor por mais de quinze séculos. Nós precisamos desenterrar esta sabedoria que permanece soterrada pelo entulho da em parte morta Igreja a fim de alcançar a prosperidade. Para uma melhor descrição desta força e seus eflúvios, é necessário retornar à sabedoria dos Gregos antigos para reconhecer palavras superiores, pois palavras superiores ajudam a pensar de uma forma superior. Continuamos a afirmar que o amor não é um objeto, mas é como uma molécula constituída de diversos elementos. O Amor no plural, familiar para muitos, que é descrito pelos Gregos antigos inclui:

Storge – amor ou afeição familiar, de clã ou de tribo, amor de viajantes, companheiros ou mesmo familiares.

Eros – o amor carnal por outra pessoa, a luxúria.

Philia – sentimento de companheirismo respeitoso, amizade profunda, gratificante e duradoura.

Agape – amor abnegado, incondicional e altruísta por um outro ou por um grupo.

Os gregos antigos da Era de Ouro acreditavam na hierarquia do amor, com Agape no topo, mas todos eram importantes no equilíbrio da ordem de uma vida feliz. Eles também pensavam que esses elementos eram compostos de partículas específicas. O que isso significa? Um bom homossexual precisa ler O banquete de Platão, o qual inicia na Grécia antiga a lista do festival das bichas, além de seu tema ser familiar em qualquer cenário gay. Homens que amam homens serão levados a se questionar de forma perplexa, “Por que nós amamos da maneira que amamos?” Pelo menos em um nível, a resposta heterossexual é tão óbvia hoje quanto era na época: a magia de Eros dura quase o mesmo tempo que se leva para cortejar, conceber, gestar, ter um filho e vê-lo crescer. O amor Eros é um programa da Natureza para gestar filhos, um maneira tola de homens e mulheres dentro do seu ato irracional e pessoal de reprodução, mas essa resposta deixa de fora o amor-homo. (É necessário ler esse discurso essencial para descobrir mais sobre o amor, não pelas respostas, as quais são intrigantes, mas pelo método socrático de convencer através de uma resposta mais satisfatória). Tão informativo quanto relevante quanto o passado possa ser, o que seria de “nós”, vivendo nessa época sombria? Como nosso ponto de partida, O Banquete, inicia deste ponto em diante um Jogo do Amor completamente diferente para nós: o mais importante princípio é a ideia de que o amor existe em diversos sabores e variedades e que o amor é, em si e para si, parte da injunção “conhece a ti mesmo”, tentando colocar isso num contexto, irracional e em todos os outros, acreditamos que o Amor é a educação mais importante e desafiadora a qual temos na vida. Esse caminho é mais difícil do que a conformidade dos Normais, certamente. É verdadeiro, é simplesmente muito difícil para a maioria. E afirmamos, estamos satisfeitos com essa dificuldade, nós recrutamos somente os mais determinados. 

Agora, com todos agitados, permita-nos tratar sobre o amor-homo.

Eros, embora fundado num fato biológico sólido “os opostos se atraem” (porque isso geralmente ajuda a confundir as informações genéticas, a partir da ideia de que a natureza adora nos atacar com surpresas, pragas, o dente de sabre ou um acidente nuclear) cria uma maquiagem genética variável e auxilia o homo sapiens a lidar com todas as estilingadas e flechas que nossa boa e velha “mãe natureza” nos arremessa. Certamente, é a natureza diversificando seus investimentos, e nós entendemos o porquê, mas isso tem causado uma dor de cabeça interminável entre os homens. Mas o que isso importa para as bichas? Fomos simplesmente condenados pelo reto? Desde que nós (gays) não participamos diretamente do ato reprodutivo, devemos evitar o difícil/impossível amor? Há coisa melhor a se fazer do que amar o Escolhido? 

Acreditamos que não existe o mítico Escolhido. O amor não é um mito de empate, mas este jogo é defendido profundamente na vida humana. A forma que isso tomou hoje foi construída sobre um canal entranhado na necessidade reforçada por meio da natureza do amor e da afeição (ou da ansiedade, ou do cuidado ou da confiança). Nós aprendemos esta forma de amor desde a primeira infância. A Teoria do Apego trata autoritariamente sobre o assunto e pode ser entendida somente por baixo da maior parte desse desespero, é compreensível o pânico (real e evolutivo) que muitas mulheres sentem ao serem usadas como brinquedos e depois abandonadas para educar uma criança sozinha ou quase. Há vezes em que uma mãe solteira, como o sexo homossexual, significa desonra ou mesmo a morte, com semelhança deletéria na história secreta.

Este é o acondicionamento o qual os gays estão tão impacientemente ruminando em suas barrigas por terem nascido dos heterossexuais. Permita que eles se orgulhem disso. (Leia o brilhante, No Future de Lee Edelman o qual demole por completo esse raquítico edifício). Assim para nós, sabemos que precisamos de mais de uma pessoa para sentirmo-nos satisfeitos, melhor, precisamos de muitos amores. Encontrar o Escolhido é pior do que uma distração, é um gasto desnecessário de energia que nos priva das mais altas formas de estudo, trabalho e de amizade: o que nós podemos denominar de amor profundo ou real? O Escolhido sempre aparecerá, preparado ou não, e normalmente se vai, com a mesma espontaneidade. Se você cedeu para dois ou três escolhidos até os seus 30 anos, você já pode se considerar um doutor no assunto ao invés de ter vivido um pacote completo de dor e miséria. O que pensar da ideia de que toda essa putaria socializante de encontro toma mais tempo do que estando com um namorado? Um pequeno experimento: pegue um calendário e faça as contas. Curtindo ou namorando. Sim, é chocante a diferença. (Para mais sobre a filosofia e a prática do poliamor, leia The Ethical Slut de Easton e Hardy).

O amor que cada um tem é único e precioso. Para nós, isso é simplesmente uma questão de respeito e honestidade. O amor (Sorge) que temos por uma avó é muito maior do que temos por alguém o qual passamos a noite (Eros), mas em alguns casos os dois são incomparáveis. Isto não os torna menos real ou importante, à sua maneira. Como um vinho fino, uma ligação amorosa possui em si uma complexa mistura de muitos elementos (no caso, quatro) do amor. Todos os amores (amizade, amantes, clã) podem ser valorosos fins em si mesmo, mas se todos eles tornam a vida Caça e Captura, do que serve o tempo que resta? Unir um par de vidas que estão apenas caçando o amor como o significado da felicidade acaba criando uma economia da fome. Não, alguém precisa estar preparado. As mais altas formas de amor, Philia e Agape demandam que alguém tenha mais a trazer a mesa do que somente um pênis. Viva, aprenda (sendo um novato) e então traga tudo isso para os seus diversos amantes. É assim que acreditamos. Por estas razões, o ideal hodierno de “monógamos em série” que se “encontram” e “se veem” e “terminam” (estas palavras não possuem significado algum no nosso vocabulário) com uma pessoa e então (inevitavelmente) estão com outra pessoa dentro de alguns meses, parece estar em um caminho desvairado e depravado, até serem exaltados pelo Departamento Gay de Serviços do Amor (uma subsidiária da GAY S.A.) por aprender seu próprio caminho.

O amor-homo difere de uma maneira muito importante da sua contraparte hétero. O amor que ousa não falar o seu nome, hoje fala demais (e de forma confusa) e o tempo todo, e mais do que isso, fala sobre como o amor é um disparate heteronomativo. Um homem amando um outro homem será diferente em diversos fundamentos do amor-hetero, como o amor-hetero em voga nos Estados Unidos é diferente do Japão, da contemporânea Buenos Aires ou mesmo do tradicional casamento mórmon. Sim, com certeza, certamente, sim mais uma vez, é o construtivismo social, mas isto é somente uma parte da explicação. Devido ao fato da Teoria dos Povos saber tanta ciência quanto “The Village People”, somos entendidos a partir de uma triste figura de nossas vidas a partir de sua perspectiva (hoje uma visão dominada por uma vida afetada). Somos muito plásticos em nossas performances de gênero, mas não tão indefinitivamente. A Teoria de dupla herança toma o construtivismo social e o biologismo e cria uma síntese satisfatória que não é burlesca. Para tanto falamos para aqueles que somente nos escutam e concordam:

Muitos homens que amam homens não foram feitos para a monogamia, prisão do casamento tradicional com fins reprodutivos. Nós podemos encontrar muitos outros meios satisfatórios para amar do que aquele que acontece “naturalmente” (leia-se: demasiado não natural para a maioria) para nós: sim, caçar no Grindr (oh, obrigado, oh deuses da tecnologia) por uma relação amigável de longa duração é um ideal acima do casamento, mas também uma devoção ao estudo e ao trabalho, uma espécie de vida monástica semi-contracultural (com a mesma quantidade de sexo anal), é o que realmente defendemos. Sim, você deveria se casar com seus amigos! O “Amor sem asas”, como Byron o chamou, não nos obriga a colidir e queimar a cada dezoito meses e necessitar reiniciar com um grande esforço quando você ama muitas pessoas. Os Amantes vem em segundo lugar, ponto final. O casamento é um completo estranho para nós como um Clube Masculino do Vaticano que defende o homem que ama outro homem. Simplesmente não somos gays hipócritas e perversos. Então, sim, o casamento está, claramente, fora de questão. A verdade é: muitos gays já vivem dessa maneira, se não por um meio de autoconsciência.

A nossa tradicional “família” tem se tornado um grupo forte de amigos e seus amantes. Assim é como nos contemos e ampliamos nossa forma de gerenciar a economia doméstica. Sim, certamente você dirá, mas perceba o que aconteceu com todas essas comunidades de enrolados na década de 70. Existe realmente algum modelo que funcionou? Há um termo que os russos utilizam de forma caluniosa para descrever a variada estrutura da economia doméstica “liberal” na Europa Ocidental: família sueca. Significa uma família na qual muitas pessoas se relacionam umas com as outras de acordo com o passar do tempo, frequentemente gerando muitos filhos com diferentes parceiros e ainda se consideram um clã. Isso é muito comum na Escandinávia e em outros lugares mais cultos. O mais interessante é que esta é mais ou menos uma extensão antiga do modelo familiar para a maioria dos homens do tempo das cavernas. Voltando para o futuro, é claro que há, às vezes, lealdades divididas e irritantes complexidades neste modelo, mas é muito mais honesto e durável do que o frágil modelo familiar tradicional e “nuclear” (leia-se: feito em escala industrial, altamente tóxico e propenso a explosões). A GAY S.A. está ocupada comprando estoques desse desastre nuclear familiar (e cantando nossos nomes, amaldiçoados sejam, fraudadores!). Nosso modelo certamente é hetedoxo e contracultural (certamente Onfrey o denominará de micro-revolução), mas vocês (pessoas do arco-íris) pedem por diversidade, dizem que estão abertos a isto e aqui está na forma de uma tribo barbada e poliamorosa. O que poderia ser mais tradicional do que isso?

Nós temos idade suficiente para lembrar outras maneiras de homens amarem homens. Claro, a catástrofe da praga acabou com muitas delas, por completo o ideal foi desacreditado, seus patrocinadores foram literalmente mortos para e devido a bandeira do sexo e da libertação pessoal. Mais do que isso, é uma pena que os Gays pensem que esses homens desgraçaram a homossexualidade, nós discordamos. Questionar o amor-hétero é aflitivo e uma ordem infeliz pode se tornar uma segunda natureza para as bichas, as quais foram abusadas e negligenciadas por esta cultura através tempos, mas longe de nós a GAY S.A. desejar-nos o amor agora, pelo menos como uma ideia, um show do Menestrel Casamento a favor dos héteros e seus aliados. Precisamos redescobrir uma gramática antiga a qual perdemos no agito dos últimos 30 anos: a linguagem do amor-homo. Muitos homens já estão procurando por estas palavras por trás dos sentimentos e das ideias que um dia estarão a nossa frente. As inadequações do casamento hétero e do Scruff podem se tornar óbvias para qualquer pessoa pensante e sensível devido ao difícil questionamento do significado do amor.

A noite - Tasseomancy [tradução]

ma véspera de minha primavera
eu propus-me um desafio
o qual estabeleceu-se como um jorro límpido e azul
fluindo como uma fonte

e não reconhencia nenhum detalhe
mas esta magia era imprevisível
e minhas raizes, elas não cresceram
e a água tão calma e limpa
consumi-a demoradamente
e soube de uma vez a maldição que iria me provocar


ó Noite, querida senhora, querida Azriel
eu chorei e lamentei estas canções rastejantes a ti
então, casei-me com um mendigo,
um corte em minhas veias, eu deitei-me tumefato,
e na cama do morto, chorei sem demora
bruxa, o que foi que fez?
antes pendurado, agora torcido,
tudo se encaminha para a dúvida
da mesma forma que cresço fraco e murcho
isto é você, minha velha noite que demora na juventude

ó Noite, querida senhora, querida Azriel,
eu chorei e lamentei estas canções rasteantes a ti
ó Noite, querida senhora, querida Azriel,
eu chorei e lamentei
estas rasteantes canções
a ti

ó...

dessa forma, meu dias
passaram sem muitas mudanças
sem as senhoras encarquilhadas, velhas pausas decadentes,
exceto a cega e segada canção,
nenhuma Noite poderia aproximar a alvorada

Diana - Tasseomancy [tradução]

Os lobos em minha cela
por minhas maçãs enegrecidas e pútridas.
Pegaram mais do que deram,
meus animais se amedrontaram e adoeceram.
Adiantem as suas colheiras,
elas apodrecerão
nesta escura estação.

Os lobos em meu altar
por estas feras que não são puras para o abate.
Pegaram mais do que deram,
a qual carne serviria este sangue e este fogo?
Adiantem as suas colheiras,
elas amadurecerão
nesta escura estação.

Mande-me teu arco, Diana
Abençoe-o com o vinho, agasalhe-o com a vinha
Temos que achá-la,
esculpi-la em pedra, Diana
enfeitada de dentes e cipreste
pelo se arco.
Os lobos...

Os lobos em minha câmara
por estes olhos não necessitarem do julgamento do carcereiro.
Pegaram mais do que deram
e a vida não se acelera para a ruína.
Adiante sua respiração,
dudo acabará no final desta escura estação.

Lá no fundo
da sala
eles gritam meu nome
suavemente
suavemente
através da boca do leão,
isto não é meu problema,
esta não é minha dúvida.

Mande-me teu arco, Diana
Abençoe-o com o vinho,
agasalhe-o com a vinha. Temos que achá-la,
esculpi-la em pedra, Diana
enfeitada de dentes e cipreste por seu arco
Mande-me teu arco, Diana
Abençoe-o com o vinho, agasalhe-o com a vinha. Temos que achá-la,
esculpi-la em pedra, Diana
enfeitada de dentes e cipreste pelo seu arco.

Pés leves - Tasseomancy [tradução]

Quando eu acordo,
temo a noite
aproximando-se com a devida violência, Eu
amaldiçoo as casas com cornetas e pele humana
Saltando de pés leves para a hesitação da tua faca

Uivar, berrar, bramir, chiar

E o refrão me diz
não seja insensato
Saltando de pés leves para a hesitação da faca
E o poeta me diz
não seja grosseiro
partes do rosto dela estão reluzindo em branco

Minha testemunha - The irrepressibles [tradução]


Enterre-me com a espada, a corrente e a dor
Viverei com as moscas, com o fogo da fogueira inquisitorial.
Esquecido num pensamento por você preparado,
moldado numa forma inata de você.

Acordarei da chuva da sua luz.
Trespasse essa faca no meu peito, viverei em você,
Ah. ah, ah minha testemunha.
Ah, ah, ah minha testemunha.

Crie a queda, ateie o fogo,
dane-se as leis, suavemente...
Pinte isso tudo com o desejo.
Molde a forma que eu vejo.

Viverei com a faca, com o amado em mim.
Sou o sustentáculo olhando para sua hipocrisia.
Ah. ah, minha testemunha.
Ah, ah, ah minha testemunha.
Pegue a ferida do céu!
Faça o amor num olho!
Pegue a ferida do céu!
Faça o amor num olho!
Pegue a ferida do céu!
Ah. ah, ah minha testemunha.
Ah, ah, ah minha testemunha.

Faça guerra de suas crenças
mais pungentes, por favor!
Faça guerra de suas crenças
mais ignorantes e desapareça!
Acordarei da chuva de sua luz.
Trespasse a faca no meu peito, viverei em você.
Ah. ah, minha testemunha.
Ah, ah, ah minha testemunha.

Pegue a ferida do céu!
Faça o amor num olho!
Pegue a ferida do céu!
Faça o amor num olho!
Pegue a ferida do céu!

Almas entrelaçadas - Björk [tradução]

Remisturo as placas tectônicas de meu peito

Você sabe, doei-me por completo
na tentativa de ligar nossos continentes,
de mudar as intempéries da estações,
de entrelaçar as almas.
Tão rápido quanto suas unhas crescem,
as rugas do Atlântico erram
para dizimar a distância.
Você sabe, doei-me por completo.
Consegue ouvir o esforço da contenda magnética?
Mistura de colunas
para entrelaçar as almas?
Esta erupção desfaz a estagnação.
Você não sabia que ela estava em mim.
Reteve seu amor, uma cápsula inesgotável,
Eu não sabia que ele estava em você...
Você foi capaz de esconder a chave de nossa continuidade,
Eu não sabia que ela estava em você.
Esta erupção desfaz a estagnação.
Você não sabia... você não sabia...
No que resiste persiste, detalhes aquecem
para dizimar a distância.
Eu sei, doou-se por completo,
ofereceu-me a harmonia em troca de tudo ser do seu jeito.
Minha placa eurasiana contida,
moldando o entrelaçamento das almas.
Esta erupção desfaz a estagnação.
Você não sabia que ela estava em mim.
Reteve seu amor, uma cápsula inesgotável,
Eu não sabia que ele estava em você...
Esta erupção desfaz a estagnação.
Você não sabia que ela estava em mim.
Esta erupção desfaz a estagnação.
Você não sabia... você não sabia...

Trovão inesperado - Björk [tradução]


Inspiragitando nos abismos aquáticos
fria espumafrivola em meus ramos
é minha mente em turbilhão
um passeio em torno do desejo

Poderia? Conseguiria ou teria tudo isso tão frequentemente?
Suspirando milagres.
Poderia? Conseguiria ou teria tudo isso tão frequentemente agora?
Suspirando milagres.
Suspirando milagres.

Ninguém imagina o choque luminoso que eu preciso
o qual eu nunca terei
das quais as mãos profundamente humilhou,
perigosos dons da mesma maneira veem a mim.

Poderia? Deveria ou teria tudo isso tão frequentemente?
Suspirando milagres.
Poderia? Conseguiria ou teria tudo isso tão frequentemente?
Suspirando milagres.
Suspirando milagres.

Meu gene romântico é dominante
e sente gana pela união,
intimidade universal,
tudo entrelaçado.

Poderia? Deveria ou teria tudo isso tão frequentemente?
Suspirando milagres.
Poderia? Conseguiria ou teria tudo isso tão frequentemente?
Suspirando milagres.
Suspirando...

As ondas desconexas batendo
ventopopa em minha face,
uma tempestade se aproxima.
Arranque cuidadosamente este aziar de mim!

Poderia? Poderia ou deveria tudo isso tão frequentemente?
Suspirando milagres.
Poderia ou deveria ou teria tudo isso tão frequentemente?

Todo meu corpo é um só
assim que os raios atingem minha espinha
faiscante
a origem perpassa-me,
reviva o meu desejo
inviolável.

Poderia? Conseguiria ou teria tudo isso tão frequentemente?
Suspirando milagres.
Poderia? Conseguiria? Deveria ou teria tudo isso tão frequentemente?
Suspiro por milagres...

Laura - Bat for Lashes [tradução]


Disse-me que todos te deixaram para trás,
teu coração se quebrou e morreu em parte.

Vista teus braços suavemente em torno de mim e diga:
podemos dançar sobre as mesas de novo?
Quando você sorri é tão vasto e
teus saltos são tão altos.
Você não consegue chorar... prossiga em teus trapos felizes
e vamos cantar sozinhos
esta canção solitária.

Você é o trem que descarrilhou em meu coração,
você é o brilho na escuridão,
ah, Laura, você é mais do que uma estrela.
E neste show de horrores
tenho que lhe dizer:
ah, Laura, você é mais do que uma estrela.

Dizem que você está soterrada neste pálido sonho azul
e tuas lágrimas derramam-se quentes nos meus lençóis.

Vista teus braços suavemente em torno de mim e diga:
podemos dançar sobre as mesas de novo?
Quando você sorri é tão vasto e
teus saltos são tão altos.
Você não consegue chorar... prossiga em teus trapos felizes
e vamos cantar sozinhos
esta canção solitária.

Você é o trem que descarrilhou em meu coração,
você é o brilho na escuridão,
ah, Laura, você é mais do que uma estrela.
Você será reconhecida por mais tempo do que eles,
teu nome será tatuado na pele de cada garoto.
Ah, Laura, você é mais do que uma estrela,
você é o trem que descarrilhou em meu coração,
você é o brilho na escuridão.
Ah, Laura, você é mais do que uma estrela.

E neste antigo show de horrores,
eu preciso te contar:
ah, Laura, você é mais do que uma estrela.

A máquina de sonhos

La morte di amore - Roberto Ferri
“As coisas não podem ser assim...”, a manhã tinha aparecido em minha janela, como todos os dias, despertando-me sem necessitar de avisos cantantes, era somente o sol bater e o dia já estava anunciado, a janela em si olhava para mim e dizia sem muitas palavras que era hora de sonhar. Não, eu não sonho dormindo, sonho acordado da hora do despertar até a hora em que vou me deitar, quando o sol deixa de se projetar através da janela do quarto, as cores dos móveis tornam-se menos, não há lâmpada alguma que devolvesse o brilho. Era a vida sob o sol a encher a casa de cores cintilantes, dormir não era sonhar, era ter pesadelos com os acontecimentos cotidianos, era se tornar real pelos pequenos medos diários. Ele foi muito sincero em suas palavras, não era a primeira discussão sobre o futuro, ou o desejo ou mesmo os sonhos acordados. Infelizmente, sou uma máquina de sonhos, de projeção, de desejos, de seguir em frente porque há um segundo seguinte e mesmo o amanhã, só há o que ainda não aconteceu. 

O presente todo se desfez em desonho, as paredes suaves e claras do desejo se evanesceram e todo o brilho se foi mesmo com sol. O fim da era do sonho tinha sido determinado, o momento de sua fala, engasgada há muito tempo na garganta, era sua determinação, os raios solares não eram menos intensos na janela, só não produziam sentido, não deixavam de anunciar o dia, somente tinham deixado de abrir a possibilidade para o sonhar. Aquela colcha de retalhos sobre a cama não tinha aquela cor de quando acordei, era agora acinzentada, vazia, cada um daqueles quadrados tinha um sonho, era somente tocá-los e eles vinham despertar um pensamento, todo o futuro estava engavetado neles, uma vontade de ir para algum lugar desconhecido, tirar uma foto do pôr do sol, tomar um vinho caro ou mesmo tomar um chá na sacada ao som de conversas desimportantes. 

Ele não entendia, quando me negou o sonho, negou-me por inteiro, sou somente feito deles e são eles a moverem os músculos dos meus braços, a realizarem as conexões entre os meus neurônios. Era só me dispensar na lixeira, não tinha mais nada aqui, somente um ser vazio. É certo, não se sonha sobre o vazio, não se sonha sem possibilidades, não se sonha diante de uma negativa, é egoísmo de minha parte, eu sei, mas bastava não me negar a possibilidade, nem que seja para não ser realizado, sonhos não se realizam, se sonham e somente. Não pedi para ter sonhos realizados, pedi somente para sonhar. Não custa nada... 

“Você está me ouvindo?” É claro, e puxou-me pelo braço, chacoalhou um pouco, juro, não estava perdido em meus pensamento, só não tive vontade de me mover, aquela colcha era daquela cor mesmo? Entendi tudo o que me disse e concordo, quem sabe pode ser possível para daqui alguns anos, não tem problema algum. Todos os problemas estavam resolvidos, não havia mais nada com o que se preocupar, tudo eram palavras envenenando minhas veias, nada de mais, minha pele também perdeu seu brilho sob a janela, enrijecia e craquelava como um açude seco. Sua água era um tanto doce, alimentada por nutrientes provenientes da terra e fermentados ao sol. “Podemos ir agora?” Claro, vou me vestir...

cargas - iamamiwhoami [tradução]


Ha!

Eu venho levar, podemos ver que nós causamos tua partida da terra decadente.
Eu venho entregar e envolvi tudo em minha plangente ligação.

Eu lhe trouxe minha história e espero teu terno abraço me envolver,
ofereça o amor e pense em mim.
Estas são as cartas de uma composição
seladas e guardadas por uma novidade.

Onde lançamos as premissas tão profundamente
o tempo finalmete me agarrou
moldado numa imagem de um fugitivo apavorado.

Não duvide do brincalhão.
Diga suas saudações com um adeus.
Sua xícara já está transbordando.
O silencio afunda com um sorriso...

Agora nos esquecemos,
uma pequena, pequena jogada
muda o que foi dado para decidir justamente o motivo disso tudo.

Não espere escutar de mim
da mesma maneira que tenho alimentado bocas famintas.
Realmente gosto da sua companhia,
mas precisamos trabalhar para te manter contente.

Vejo o erro e o pior em mim.
Eu lancei as premissas tão profundamente,
a coragem finalmente me pegou
moldada numa imagem de um fugitivo apavorado.


Agora nos esquecemos,
uma pequena, pequena jogada
muda o que foi dado para decidir justamente o motivo disso tudo.



Não duvide do brincalhão.
Diga suas saudações com um adeus.
Sua xícara já está transbordando.
O silencio afunda com um sorriso...