um pouco sobre mim e os outros

onde a realidade diafana
todos temem
é a linha tênue

não que todos sonhadores
às vezes inventores
outra até Deuses

já não temo mais
certo pelo incerto
e reverso

clara visão turva
acostumada ao espanto
às vezes não tão irreal

muitos pensam em sensibilidades
engano
há artistas sensíveis

diria um pouco de atenção
pois este mundo
abunda...

Ofício primordial


silente som sinal
forja fogo as formas
pinga 'i's salamandras
som em princípio total

à espera, sou som difuso
da hora trevosa das letras
o poeta então aparece
igneo soprador elemental

Nós e nós


De nó em nó desatando,
Fio por fio as amarras,
Problemas por problemas para ver,
enfim, o fim libertar

Cansado de gostar do desgosto,
De um mundo salgado e amargo
Decepção pelo vão em vão

Não se pode chorar e implorar,
O que muda é um e não todos,
hora de coragem

Já pintamos, escrevemos e cantamos,
tantos descontentamentos,
Não seria então a hora
de ser nós?
prefiro ver assim
de olhos fechados
mundo em possibilidades
do que ver o fim
gira mundo gira

Dormência

eu durmo o sono dos injustos
sabendo o que sei
comendo o que como
errando utopias

ele não
dorme justamente
não comendo não sabendo
errando vida

Sorriso na janela

o quarto escuridão
sorriso luz na janela
pesar desejo e uma
pequena centelha
sorriso na imensidão
todos vêem, todos sabem
todos sofrem
é visivel no fundo
salvação em sorriso

A luz dos bobos

O que te dilaceras a alma?
A dúvida?
Sinto me culpado...
por minha luz
e sua infelicidade.
Abre a janela!
E deixa a mesma luz entrar.
É ela que encanta os bobos,
sim eu sei, mas luz.



Ad Sommia

Arrastado em lodaçais
de Verdades
Minha carne esfola
em pedras mentirosas.

Mas minha anima
é concisa.
Inatingível.
Perfectível.

E minha anima fala:
"Prefiro viver o sonho."

Divã


Na análise crucial
Somente fatos
Intricáveis
E desligados

mas... sempre há
Por que?
Feliz ou infelizmente
Ainda cedo
Nâo sei!