Ofício primordial


silente som sinal
forja fogo as formas
pinga 'i's salamandras
som em princípio total

à espera, sou som difuso
da hora trevosa das letras
o poeta então aparece
igneo soprador elemental

Nós e nós


De nó em nó desatando,
Fio por fio as amarras,
Problemas por problemas para ver,
enfim, o fim libertar

Cansado de gostar do desgosto,
De um mundo salgado e amargo
Decepção pelo vão em vão

Não se pode chorar e implorar,
O que muda é um e não todos,
hora de coragem

Já pintamos, escrevemos e cantamos,
tantos descontentamentos,
Não seria então a hora
de ser nós?
prefiro ver assim
de olhos fechados
mundo em possibilidades
do que ver o fim
gira mundo gira

Dormência

eu durmo o sono dos injustos
sabendo o que sei
comendo o que como
errando utopias

ele não
dorme justamente
não comendo não sabendo
errando vida

Sorriso na janela

o quarto escuridão
sorriso luz na janela
pesar desejo e uma
pequena centelha
sorriso na imensidão
todos vêem, todos sabem
todos sofrem
é visivel no fundo
salvação em sorriso

A luz dos bobos

O que te dilaceras a alma?
A dúvida?
Sinto me culpado...
por minha luz
e sua infelicidade.
Abre a janela!
E deixa a mesma luz entrar.
É ela que encanta os bobos,
sim eu sei, mas luz.



Ad Sommia

Arrastado em lodaçais
de Verdades
Minha carne esfola
em pedras mentirosas.

Mas minha anima
é concisa.
Inatingível.
Perfectível.

E minha anima fala:
"Prefiro viver o sonho."

Divã


Na análise crucial
Somente fatos
Intricáveis
E desligados

mas... sempre há
Por que?
Feliz ou infelizmente
Ainda cedo
Nâo sei!